domingo, 11 de março de 2012

Quanto dura

Quanto tempo dura a morte?
 Papéis escritos, manuscritos a mão, lá fora a chuva, cheiro de carvão. Café no bule
tem o cheiro forte fidedigno de toda manhã e afeto. Os pés sujos, as mãos sujas,
as pernas sujas.
-Demora mais, fica, não sai!
-Só se for pra sempre.
-Então mora em mim, em nós.
Migalhas de papel ao chão misturada as cinzas do que sobrou. O resto da vida que dura alguns instantes, para restituir da pele a alma em mim, ninguém.
Esvanecer.
Como se minha alma pertencesse e estivesse noutro mundo sendo eu então
mais um estranho por aqui.
Tornou então poesia o sobejo da solidão, dor e suor .
Saindo da pele o corpo, adeus.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sem ti, sentir

Nada vale uma dor covarde
Quando de amor de um a alma alimenta
Estrada sem rumo
Choro sem documento

Sentir é fechar os olhos e apreciar o sabor no tato, ofato e paladar

Por que ser feliz a gente inventa
E com o resto a gente se contenta

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Retrato desigual

Aos homens que querem mais, e não sabem o que ou porque. 
Homens fracos, covardes, sedentos de prazer, querendo não querer.
Perdem por não tentar, solitários fins, afim, por fim fica assim.
Príncipes perdidos no subúrbio obscuro.
Buscam o que a sociedade impõe.
E continuam quereno mais, e mais, e muito mais... Mas não sabem o que. Só querem pra ter.

sábado, 5 de novembro de 2011

Palavras alternadas de uma mente conturbada

Não diria que com tanta facilidade seja covardia
É como se materialismo fosse mais saudável o que espiritualismo
O ego grita, compaixão não sente
O chão leva o peso, a água escorre negra
Os passos somem na alvorada do entardecer
As mãos calejadas do suor em covardia
Meu olhar para alguns pode ser insano
Mas um tal sábio, sábio é de loucuras alternadas
A aqueles quem vive a impressionar, uma hora cai só
Lastimando o passado cuspido, tendo o só então
O futuro sim, é para os fortes de emoção
Partiu em frente sem uma hora pra retorno
Disse "Adeus" sem nem dar "Tchau"
Um velho na esquina, um timbal e uma viola
Não se é tão comum
Uma vida, três lados, eqüilátero mundo assim
Roda um, dois, três, sem ter vez
Nascer da água, ter um filho pra criar
Descobrir o que é amar, como se ama, como se tem
Pois aqui é o lugar

sábado, 22 de outubro de 2011

Assim, sem você

Eu já não quero mais entender
O motivo de tanto silêncio
Meu grito clama tua boca
Que se tornou tão peculiar

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Intimidade

Nossos olhares no canto do quarto
Nosso afago entregue ao silêncio
Teus lábios sobre meu peito
Meu sorriso estampado de comprazer
Nada é tão aprazível como eu e você

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Bem vindo ao futuro!

Há tantos rabisques, em telas erradas
Tantas telas jogadas ao chão
Toda cólera bebida em vão
E o copo de lástima tragado com o nó
Belezas externas predominam, ofuscando princípios
Se passa primavera, as flores murcham sem ninguém extirpar
Uma alma alí no canto
Inerte de fome, por um copo de ácido, por um prato de pão
Freguês do livre arbítrio, entregue a vida fácil, estouvado
Mundo, fim apocalíptico
Sangrando por amor, clamando o prazer da carne
Aqui vivemos, aqui podemos melhorar