segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Bem vindo ao futuro!

Há tantos rabisques, em telas erradas
Tantas telas jogadas ao chão
Toda cólera bebida em vão
E o copo de lástima tragado com o nó
Belezas externas predominam, ofuscando princípios
Se passa primavera, as flores murcham sem ninguém extirpar
Uma alma alí no canto
Inerte de fome, por um copo de ácido, por um prato de pão
Freguês do livre arbítrio, entregue a vida fácil, estouvado
Mundo, fim apocalíptico
Sangrando por amor, clamando o prazer da carne
Aqui vivemos, aqui podemos melhorar

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Entre olhares e sussurros

Queria eu poder decifrar coisas que sinto e que minha mente não alcança
Decifrar teus anseios, teu sorriso
Saber viver sem ilusão, sonhar sem emoção
Cabe a mim ser o que fui, te tornar pra mim
Ser poeta racional, ao invés de sentimental
Jogar tua roupa ao chão, calar tua boca e me jogar por cima de ti
Ridicularizar cenas de amor, sentir teu halito puro
Queria eu poder decifrar o que sentes e te mostrar o melhor dos prazeres

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Vai

Vai
Leva contigo as boas e más lembranças
Segue tua estrada sem ter que olhar pra traz, mas com as cicatrizes trazidas no corpo, na alma e na mente
Aprende que nesta vida castelos são construídos em rochas, deixa a areia pra onda que leva e traz vários grãos
Vai e segue teu caminho sabendo que os amores de verdade duram enquanto duram e não se acabam
Colhe teus frutos cativados nesta vida para que não possa morrer de amor, e sim viver dele
Não deixes que sentimento nenhum nesta vida possa ser maior que ti, aprende a degusta-los sem se embriagar
A embriagues é inconsciente, deixa isso pra os tolos que tem preguiça de descobrir o que é viver
Vai pelo caminho mais longo
E mesmo que te canse, este é o que te deixa forte, frio e alerta
Caminha pelos trilhos do trem, conhece o mar, e abre os braços de frente pra a linha do horizonte
Descubra quem é o homem, quem é Deus e o que Deus quer de ti
Descobre o que Deus quer de ti
Vai
E não se esqueça de se arrepender do que poderia ter feito e de quem derramou lágrimas por ti
Vai ser gente
Vai saber o que é a dor
Vai viver como homem
Vai sentir saudade e descobrir o verdadeiro amor
Não perde tempo que o tempo pode ir sem passar pelos teus olhos e roubar tuas lembranças
Vai sentir como é o sabor da chuva, carrega um violão e faz melodias
E descobrir se as vezes é bom deixar a razão de lado mesmo que te doa um pouco
Cria seus anticorpos e descobre o que é ser gente

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Alvorada

Pelas ruas alvorada, nas janelas folhas secas
Logo a frente, horizonte me afronta, eu desejo
Derramo-me ao chão, e ergo-me com a mesma força
Abro os olhos e alvorada acordada
Distraindo minha dor com seu encanto profundo
É fim de outono. Primavera, olha ela, olha ela
E leva a vida, antes que ela te leve, bem leve
De toda queda uma cicatriz, e com ela anticorpos
Já não vejo alvorada de tanto te amar.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A dor de um adeus

Ao nascer, uma lágrima ardente escorreu pelo seu rosto. Lágrimas de dor, lágrimas de euforia, lágrimas.
Tornou-se um, tão incomum, que agradara a todos que o conhecia. Tão inocente que nunca pudera ver o quão imenso o mundo é, mas sem pudor, soube construir o seu mundo prodígio.
Soube usar suas conquistas, construindo um caminho de riquezas, foi diferente, destacou-se entre os seus. Tinha vintage em suas mãos, pra fortalecer sua jornada de um grande, grande homem se tornar, no futuro a vistar. Tinha sonhos, mas preferiu viver a realidade, criando anticorpos, regenerando suas pegadas. Seu olhar era graúdo, como olhos de guaraná em meio à mata relva daquele mundo autofágico, seria ilha, ou até universo, era seu, era príncipe, para um rei.
O adeus foi tão triste, tão doloroso, tão forte, que me tornara forte, grande, herói. Herói eu cuja arma era uma voz, feroz, como de um tigre rajando fogo pelos olhos. Apeguei-me aos teus costumes, e aprendi os teus diálogos. Aquele porto me tornara quente, me senti frio, ofuscando minha visão que nem pude ver o mar, ah o mar! Á de volta,
Seu que um dia meu canto te trará de volta, e espantara os temores e tremores e hei de te ver dar cambalhotas na grama, e sorrir no playground. Hoje fecho os olhos pra ver tua face, e os abro de volta pra seguir em frente, pois podemos ser mais que um. E sei que lá de cima, o seu outro eu, te protege,ensina, te orienta e ajuda. Assim como tu sentes, o vejo em ti.
Te darei meu sorriso em troca da tua felicidade.

domingo, 12 de junho de 2011

Aos Corações Mais Envolvetes

Aos corações mais envolventes digo que não existe distancia, dia, dor ou espaço que possa interferir no sentimento mais quente e intenso que pode existir entre dois corpos com vida quando se unem. Que as desavenças da vida, são aprovações pra te fazer entender e sentir, o que seria pra ti amor e paixão.
Dizem que o amor é fogo que arde sem se ver, que é ferida que dói e não se sente... Até que é dor que desatina sem doer. Será que esse fogo e essas dores não seria paixão? Paixão tão intensa e verdadeira, que o amanhã é de mais pra quem tem o agora, o que importa é o agora, e o que vem após o suspiro, que vem antes das lágrimas vermelhas.
Paixão é tão ardente, que cega os olhos da razão, levando o corpo à emoção, que traz a realidade toda ilusão. Paixão é tão dolorosa que o gemer do gozo é tão intenso, levando o corpo a um momento, chegando até ser desatento pelo gosto da excitação.
Paixão é loucura, realidade, blues. É se despir de toda alma contida compartilhada por dois corpos. Não há limites pra a paixão.
Dizem que o amor não se acaba. E não se acaba. O amor dura enquanto houver vida, enquanto houver suspiro. O amor é tão infinito, que é capaz de compreender as coisas mais inexplicáveis que no universo possa ter. Amor é simples, é fato, é fado.
Amor é tão puro que não existem manchas, e pra toda macha que possa querer pintar o amor, existe um alvejante puro. No amor, as dores são sábias, são lúcidas, são compreendidas e ele tudo suporta, não tem fim. Portanto, pra toda dor, no amor tem remédio.
Amor é lucidez, utopia, jazz. E se vestir de toda alma e conter um sentimento compartilhado para uma vida inteira. Não há limites para amar.
Aos corações mais envolventes digo que não existe amor nem paixão, sem que haja pureza, sensibilidade, discórdia e duas vidas. Duas vidas que entre pernas e lençóis se tornam uma.  Que o respeito e atitude, são elementos fundamentais pra ambos os sentimentos. A paixão sangra, o amor se regenera. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Velho Jovem

Então um dia, abri os olhos, olhei pra os lados, e vi como tudo mudou. Porém, nada muda.
À medida que o tempo passa, as coisas evoluem. A pele lisa já está crespa, os sonhos se tornam desejos, os amigos viram lembranças, e as pessoas que nós menos esperamos, ou imaginamos se tornam os nossos melhores amigos.
Por um momento vejo toda juventude construída, demorada, ser deixada para traz como se deixa uma fonte de água velha. Ao mesmo tempo, vejo o quão jovem estou, e tão velho me torno, mais um dia, mais um ano, mais um.  O tempo é tão precioso, que quando se vê já foi, e o que foi não é mais o e era.
Trago em minha bagagem utopias, anseios e experiências. Mas nem tudo que trago vivo e nem tudo que vivi trago nesta bagagem.  Só vivo.
Hoje então é, mais um dia daqueles onde tudo que é especial é só hoje. Depois, ao acordar os olhos, e a vida, tudo será exatamente como sempre foi, com alguns atrasos, é claro! Percebo também que à medida que o sol nasce se aproxima de mim, surgem sinais, expirais, e lembro que antes, tudo que o que eu mais queria, era estar hoje. Mas hoje, olho pra traz, não querendo ser como antes, mas gostaria de viver por alguns segundos como se fosse antes. Muitas vezes ingênuo, menino, cordel. E sei, que mesmo não vivendo como imaginara, vivo construindo um hoje bem mais nocivo do que poderia ser.
E mais um dia se vai, e outros das virão. 
Já fui menino, hoje um jovem, amanhã eu, um velho jovem.